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AO MESMO TEMPO 
sessões de improv e conversas ressonantes por dentro do Risco da Dança 

4 sessões no mês de novembro - 14h às 16h 

Mariana Lemos (dança) convida:

 

quinta - feira | 11 de novembro | Carla Santana e as eletrónicas 

 

terça -feira | 16 de novembro | Shahd Wadi e o corpo- que - não - é 

 

quinta - feira | 18 de novembro | João Valinho: bateria e objetos sonoros

 

sexta - feira | 19 de novembro | Raquel Reis e o violoncelo 


Mariana Lemos (dança) convida sempre um improvisador-artista-performer para arriscar um dueto de improvisação livre, seguido de uma conversa ressonante. São sessões de improvisação-criação no momento - onde o encontro se dá a meio caminho entre os afetos, as presenças, o som, o gesto, a palavra, os corpos. Entre aquilo que move quem dança, escuta, faz som, reverbera, ressoa… Num espaço temporal combinado à partida, dedicaremos tempo ao trabalho da criação no agoragora, regido pela energia da improvisação, tendo o próprio encontro como conteúdo de fundo. 

Para o mês de novembro, teremos: um violoncelo, uma bateria, um mundo mágico de redes e sistemas eletrónicos, a palavra poéticopolítica de uma corpo em diáspora resistente e um corpo que dança entre estes afetos, lugares, pessoas e propostas. 

nota de intenção’ 
Mariana Lemos em torno da formação, criação e investigação nas artes performativas

A verdade é que cada vez mais sigo perguntando o que vai sendo isso da formação... Há uns anos atrás sinto que o entendimento de deixar cair (desde dentro do trabalho de fundo do cem) um trabalho que pode aproximar ou afastar as pessoas, apenas pelo conhecimento técnico que trazem ao momento da aula... ou pelo tempo de prática que têm de uma determinada linguagem... foi uma grande mudança de perspectiva neste meu percurso que vai dando forma ao corpo da dança.

Que alegria é poder estar numa prática e acolher as pessoas dizendo: vem com o corpo que és hoje, vem como vais sendo! Os convites são feitos pensando no encontro em si e não apenas no que trazes "pronto" contigo... As nossas aulas são encontros contigo, na intimidade do teu ser singular e na potência do ajuste do corpo social mundo coletivo… 

E quase duas décadas se passaram desde que iniciei meu percurso profissional na dança… e continuei... e a música foi atravessando tudo. Digo música pois está além só do interesse pelo som... é também o tempo dedicado a escutar, às vezes o que é gravado... mas sobretudo o estar ao vivo nos concertos e acompanhar a vibração da potência da criação no momento. O labor da improvisação, que tanto têm me encantado enquanto espectadora... os músicxs reunidxs... quem toca e quem ressoa... como nos encontramos, onde... quais as provocações, os espaços escolhidos... tenho aprendido tanto assim... percebi que quando algo me desperta o interesse, gosto mesmo de ver bem de perto, se possível ajudar a fazer acontecer se possível entrar pra dentro mesmo, e estar junto no olho do furacão...

Apreender na experiência do encontro... como investigadora de corpo e movimento que vou sendo... com o cem a irradiar do meu peito... ao fim ao cabo acho que é isso... cada dia que passa sinto mais flexibilidade nos lugares de trânsito da Mariana que acompanha desde o trabalho invisível, o fazer acontecer e a resolução dos problemas ( a produção) até o brilho de ser sol e sombra (a bailarina) e o corpo suporte companhia ( o ser professora)...

Portanto... pensando junto dos dedos enquanto escrevo este texto... formação para mim hoje tem mesmo muito mais a ver com partilha de experiência de vida... com vibração, deslocamentos, transições, avanços e recuos... com estar junto nutrindo o convite para estar junto. Com irradiar, inspirar, sentir o espaço entre os corpos que se tocam e entretecem caminhos. E ir sempre sempre sempre atualizando o ponto de irradiação... acolhendo as diferenças, focando nas singularidades, e nutrindo uma prática artística que é uma calibragem entre o que é a intimidade de cada corpo e o contexto de trabalho, por escolha: coletivo. 

Mariana Lemos (1979) é uma artista da dança, bailarina, professora,criadora e mais recentemente dedica-se também à produção cultural, junto de músicos e arte-educadores, num caminho que é construído desde dentro da filosofia de trabalho, pesquisa e criação do cem-centro em movimento/Lisboa onde está desde o ano de 2004. Tem uma paixão por colaborações e acredita numa prática artística plural, que investe em muitas áreas ao mesmo tempo. Não se imagina apenas uma coisa, os feminismos, a educação e a performance tecem um caminho de experiências que refletem-se na sua biografia de vida e trabalho.