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O som como ponto de encontro para gestos, questionamentos, reflexões, propostas. A improvisação como procura contemporânea de trabalhar assumidamente o erro, a capacidade de criar com o acaso, os desvios, as perguntas sobre acontecer junto… Quando um bailarino surfa uma melodia, trabalha sobre o ritmo ou a harmonia… elementos do universo musical… quando ambos estão a ouvir no momento… a procura por uma não hierarquia de linguagens, tão pouco das presenças e dos corpos. Acontecer ao mesmo tempo, mas não no mesmo lugar… considerar as singularidades e as camadas relacionais. A improvisação como uma prática de ecologia, de respeito mútuo e de aproximação. A investigação artísticas como prática de transformação, de criação de novos horizontes.

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nota de intenção’ 
Mariana Lemos 

E quase duas décadas se passaram desde que iniciei meu percurso profissional na dança… e continuei... e a música foi atravessando tudo. Digo música pois está além só do interesse pelo som... é também o tempo dedicado a escutar, às vezes o que é gravado... mas sobretudo o estar ao vivo nos concertos e acompanhar a vibração da potência da criação no momento. O labor da improvisação, que tanto têm me encantado enquanto espectadora... os músicxs reunidxs... quem toca e quem ressoa... como nos encontramos, onde... quais as provocações, os espaços escolhidos... tenho aprendido tanto assim... percebi que quando algo me desperta o interesse, gosto mesmo de ver bem de perto, se possível ajudar a fazer acontecer se possível entrar pra dentro mesmo, e estar junto no olho do furacão... Apreender na experiência do encontro... como investigadora de corpo e movimento que vou sendo... com o cem a irradiar do meu peito... ao fim ao cabo acho que é isso... cada dia que passa sinto mais flexibilidade nos lugares de trânsito da Mariana que acompanha desde o trabalho invisível, o fazer acontecer e a resolução dos problemas ( a produção) até o brilho de ser sol e sombra (a bailarina) e o corpo suporte companhia ( o ser professora)... Portanto... pensando junto dos dedos enquanto escrevo este texto... formação para mim hoje tem mesmo muito mais a ver com partilha de experiência de vida... com vibração, deslocamentos, transições, avanços e recuos... com estar junto nutrindo o convite para estar junto. Com irradiar, inspirar, sentir o espaço entre os corpos que se tocam e entretecem caminhos. E ir sempre sempre sempre atualizando o ponto de irradiação... acolhendo as diferenças, focando nas singularidades, e nutrindo uma prática artística que é uma calibragem entre o que é a intimidade de cada corpo e o contexto de trabalho, por escolha: coletivo. 

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